Sagradas Escrituras

I. O que é a Bíblia

1. Um livro composto de livros menores

A Bíblia é um conjunto de livros escritos durante vários séculos. Ao pé da letra, a palavra Bíblia significa "livrinhos", pois é o plural da palavra grega biblion ("livrinho"), que por sua vez é o diminutivo da palavra biblos ("livro"). Quem primeiro usou a palavra "Bíblia" para se referir às Sagradas Escrituras foi São João Crisóstomo, no quarto século depois de Cristo.

Na Bíblia nós temos, assim, uma coleção de livros menores, diferentes entre si, cada qual contendo uma mensagem e procurando iluminar a vida do povo de Deus de acordo com a realidade de quando foram escritos.

Esses livros falam da história e da experiência de um povo do Oriente, o povo de Israel. Escravo no Egito, este povo experimentou Deus como o Deus da vida e da liberdade, o Deus que deseja conduzir pelo caminho da liberdade em vista da vida plena para todos.

Deus e o povo de Israel fizeram juntos uma Aliança, um pacto, um acordo: Deus prometeu a liberdade e a vida, prometeu acompanhar e proteger sempre seu povo, e o povo prometeu caminhar sempre segundo a vontade do seu Deus, vivendo na fraternidade, como irmãos. O problema é que, da parte do povo, essa promessa foi constantemente quebrada, surgindo daí conflitos e opressões dentro do próprio povo de Deus e de outros provos em relação ao povo de Israel.

É a história dessa Aliança que temos na Bíblia. São ao todo 73 livros, e nesses livros temos vários modos de escrever: histórias, poesias, hinos, cartas e outros estilos, de acordo com a mensagem que se queria comunicar.

2. Livros de épocas diferentes, inspirados por Deus.

Os livros que formam a Bíblia são diferentes exatamente porque procuram responder a realidades diversas de cada momento histórico. Antigamente se acreditava, por exemplo, que Moisés havia escrito sozinho todo o Pentateuco (o Pentateuco são os primeiros cinco livros da Bíblia, na ordem em que eles aparecem hoje em nossas Bíblias). Os estudos permitiram descobrir que os livros da Bíblia foram escritos de modo mais rápido, e outros que demoraram muito mais para serem finalizados.

A Bíblia conta com acontecimentos que cobrem um período de tempo muito grande: desde a experiência do primeiro pai, Abraão, ou de seu descendente Jacó, que era um arameu errante (ler Deuteronômio 26,5), por volta do ano 1850 antes de Cristo, até a experiência de perseguição dos primeiros cristãos, que encontramos no livro do Apocalipse de São João, no final do primeiro século e início do segundo século depois de Cristo. Mais de dois mil anos, portanto, estão presentes nas páginas da Bíblia. E tal como a longa história do povo de Israel com seu Deus, assim também a Bíblia foi longamente preparada e gerada. Ela é, por isso mesmo, inspirada por Deus: todos aqueles que escreveram os textos bíblicos procuraram expressar por meio deles a vontade de Deus na caminhada do povo. Deus iluminou e inspirou essas pessoas na descoberta de seu projeto de liberdade e vida. Foi um processo dinâmico e gradual: o ser e o agir de Deus foram sendo descobertos aos poucos, até a revelação total que se deu com Jesus Cristo, o revelador perfeito do projeto de Deus Pai. Por isso, como afirma o Concílio Vaticano II, a Bíblia é a Palavra de Deus, a mensagem que Deus transmitiu ao seu povo milhares de anos atrás, e que continua transmitindo a nós hoje, quando lemos as Sagradas Escrituras e procuramos nelas iluminação e alimento para nossa vida. Porque a revelação plena de Jesus continua a acontecer hoje em nossa caminhada com a Bíblia.

Vejamos a seguir como aconteceu esse encontro entre Deus e seu povo ao longo da história.

II. História de Deus com seu povo

Os passos ao longo da história do povo da Bíblia que apresentamos abaixo, de modo resumido, podem ser encontrados em esquema no quandro das páginas 20-22..

1. Os pais

A história do povo da Bíblia começa por volta de 1850 antes de Cristo. O livro de Deuteronômio, no capítulo 26, versículo 5, diz: "Meu pai era um arameu errante". Esta confissão de fé, lida e lembrada ao longo das gerações, recordava ao povo da Bíblia sua origem e seu pai comum: Jacó, um arameu errante à procura da terra, que tinha sido escravizado no Egito. Essa recordação foi provavelmente a semente de onde nasceu toda a experiência do povo da Bíblia, e que animou gerações e gerações a caminhar com Deus em busca de terra e liberdade.

Jacó (também chamado Israel) era descendente de Abraão. Por volta de 1850 antes de Cristo, Abraão sai da Mesopotâmia e vai morar em Canaã com sua família. Canaã era terra de cananeus, na região onde se encontra hoje a terra de Israel. Abraão sai à procura de uma nova terra, e em Canaã nascem seus filhos e netos; sua descendência se multiplica a partir daí, como as estrelas do céu, de acordo com a promessa divina em Gênesis 22,17.

Abraão e seus descendentes, Isaac e Jacó, são conhecidos como "patriarcas", pois foram eles os pais do povo da Bíblia. Abraão foi o pai na fé, aquele que por primeiro acreditou em Deus quando tudo à sua volta parecida impossível.

2. Um povo escravizado em busca de liberdade

Jacó, o arameu errante, foi o pai escravizado no Egito que, com sua descendência numerosa, saiu com a ajuda de Deus à procura de terra, liberdade e vida. A história dos filhos de Abraão e Jacó escravos no Egito foi contada sobretudo nos livros de Gênesis e do Êxodo.

Mas se Abraão tinha se mudado para Canaã, como é que seu descendente Jacó foi parar no Egito? É que o Egito era uma terra mais fértil,e a vida em regiões como Canaã tinha se tornado muito difícil. Entre os que se mudam para o Egito em busca de sobrevivência estão Jacó e seus filhos, o povo hebreu.

Os faraós, reis do Egito, escravizaram e oprimiram os hebreus. Deus faz surgir porém um líder, Moisés, que conduz o povo hebreu num movimento de livertação, de fuga do Egito, em busca de uma nova terra, de liberdade e vida. Deus promete ao povo uma terra, e essa promessa anima o povo a sair em busca de liberdade.

Este movimento de libertação, no entanto, foi difícil e longo. Foi uma caminhada de 40 anos pelo deserto, em direção de Canaã. Moisés morre antes de chegar à Terra Prometida, e José o substitui na liderança do povo.

3. Um sistema igualitário de tribos

Pouco a pouco o povo hebreu vai ocupando a região de Canaã, liderado por Josué e depois, quando Josué morre, pelos Juízes. O povo foi se organizando em doze tribos, e os Juízes. O povo foi se organizando em doze tribos, e os Juízes lideravam as tribos na ocupação da terra, procurando pôr em prática a vontade de ser livres e de viver como irmãos, de modo igualitário, de acordo com as leis que Deus havia dado durante a caminhada de 40 anos pelo deserto (estas leis estão em Êxodo 20,1-21).

4. monarquia unida

A experiência das tribos lideradas pelos Juízes não durou muito tempo. Samuel foi o último dos Juízes que levou adiante a organização das tribos sem um rei. Por causa dos ataques constantes de outros povos, em 1030 as tribos do norte e do sul decidiram que deveriam se organizar como as outras nações, tendo à sua frente um rei. Começa então a monarquia, e o primeiro rei foi Saul. O segundo rei foi Davi, muito estimado por todos e considerado o maior rei de Israel. Ele vence as nações vizinhas, aumenta o reino e escolhe Jerusalém como capital. Na época do terceiro rei, Salomão, surgem os primeiros escritos da Bíblia, que reuniram as tradições que se transmitiam oralmente de geração em geração.

Com a monarquia aparecem também os profetas, que chamam a atenção dos reis, das autoridades e do provo por causa da Aliança que frequentemente era desrespeitada.

5. A monarquia dividida

Quando morre o rei Salomão, em 931, as tribos encontram-se numa situação difícil debrigas políticas internas. As tribos do norte não querem aceitar o filho de Salomão como rei, e o reino acaba sendo dividido em dois. As tribos do norte formam o Reino do Norte, ou Israel, com o rei Jeroboão I. O sul, fiel a Davi e Salomão, forma o Reino so Sul, ou Judá, com o rei Roboã.

6. As dominações e o exílio

Durante toda a história dos reis, Israel e Judá tiveram de lutar contra outros povos para manter a própria terra. Em 722, porém, os assírios invadem o Reino do Norte são deportados para a Assíria.

Em 586, 150 anos depois, é a vez do Reino do Sul. A Babilônia havia se tornado um forte império e tinha conquistado a Assíria. Em dois golpes conquista a capital do Reino do Sul, Jerusalém, e põe fim ao Reino. Boa parte da população é levada para a Babilônia, onde fica por 50 anos. É o tempo conhecido como "exílio".

7. A reconstrução sob o poder estrangeiro

Em 539 a Pérsia vence a Babilônia, e o rei persa Ciro permite que o povo judeu volte à terra de onde tinha sido tirado pelos babilônios. Começa então a reconstrução do Templo de Jerusalém, mas o povo de Deus nunca mais teve liberdade, no entanto, nunca morreu, e no meio do povo foi se acendendo sempre mais a esperança de um Messias (ou seja, alguém ungido como rei) que libertasse o povo judeu do poder estrangeiro.

8. A novidade de Jesus Cristo

Jesus aparece na história humana quando o povo de Deus alimentava a esperança de reconquistar a liberdade e a vida e de poder dispor da própria terra sem os mandos e desmandos de potências estrangeiras. Jesus reúne seguidores, ensina e age como Mestre. Seu ensinamento baseia-se no amor sem limites, sobretudo pelos pequenos, fracos e excluídos. Jesus vem revelar o projeto de vida de Deus Pai, o mesmo projeto da Aliança que Deus havia feito com o povo no tempo de Moisés e que tinha sido abandonado. Nesse projeto não havia lugar para a violência: Jesus ensinava a amar até os inimigos. Não havia lugar para a exploração: Jesus criticou o comércio que se fazia no Templo de Jerusalém, que havia transformado um lugar de oração em "toca de ladrões".

Tendo incomodado as lideranças judaicas, que viram seu poder ameaçado e tiveram o apoio das autoridades romanas, que não queriam se comprometer com agitações populares, Jesus foi condenado à morte, mas sua vida não terminou na cruz. Depois de três dias ele reapareceu aos discípulos, vivo novamente, ressuscitado.

9. Primeiras comunidades cristãs

Depois da ressurreição, antes de subir definitivamente para junto do Pai, Jesus envia aos seus seguidores o Espírito Santo, o Espírito que animará a comuniade dos discípulos e os fará recordar tudo o que Jesus fez e falou enquanto estava entre os homens.

Animados por esse Espírito, a mensagem e a proposta de vida de Jesus começam a se espalhar por todas as partes, sobretudo pela ação corajosa do apóstolo Paulo, que se dirigiu especialmente às pessoas que não pertenciam ao povo judeu. Assim, aparecerão comunidades formadas tanto de pessoas vindas do povo judeu quanto de outros povos, comunidades que procurarão viver na prática os ensinamentos de Jesus, buscando relações de fraternidade, de serviço e de vida para todos.

III. Uma coleção de livros

Os 73 livros que se encontram na Bíblia cristã se dividem em duas grandes partes: Antigo e Novo Testamento. A palavra "testamento" vem da tradução grega para a palavra hebraica berit, que significa "aliança", "pacto". Podemos dizer que as duas grandes partes da Bíblia se referem à Antiga e à Nova Aliança entre Deus e o seu povo. Para nós, cristãos, Jesus é o ponto de chegada do Antigo Testamento e o ponto de partida do Novo Testamento.

Quando dizemos que a Bíblia é uma biblioteca de 73 livros, é preciso notar que existe uma diferença entre a Bíblia católica e a dos protestantes. As Bíblias protestantes não trazem sete livros: Judite, Tobias, 1º Macabeus, 2º Macabeus, Baruc, Eclesiástico e Sabedoria, além de Ester 10,4-16,24 e Daniel 13-14. Estes livros foram considerados inspirados num segundo momento, quando a Bíblia hebraica já estava bem formada, e entraram no conjunto dos textos sagrados somente quando Bíblia hebraica foi traduzida para o grego, na tradução da Setenta, por volta do ano 250 antes de Cristo. Visto que os protestantes só aceitam a Bíblia hebraica como inspirada, estes textos ficaram de fora. Já os católicos aceitam a Bíblia grega, e portanto os sete livros acima, escritos em grego, fram considerados sagrados. Hoje porém, algumas Bíblias protestantes trazem também estes livros, que são conhecidos como "deuterocanônicos".

Para chegar à ordem dos livros tal como a encontramos hoje em nossas Bíblias, muita àgua correu. Antigamente os textos eram escritos em rótulos, casa livro num rótulo, sem uma ordem fixa. O que existia, para os judeus, era a divisão da Bíblia em três grandes grupos: a Lei (os cincos primeiros livros, ou seja, o Pentateuco), os Profetas e os Outros escritos. Os critérios utilizados para chegar à ordem atual dos livros foram diversos. Entre esses critérios estão o cronológico (os livros são ordenados de acordo com a ordem dos acontecimentos históricos que narram) e o de tamanho (as cartas de Paulo foram ordenadas da maior até a menor, ou seja, de Romanos a Filemon).

Vejamos como os livros se encontram hoje distribuídos em nossas Bíblias e o que representa cada grupo deles.

ANTIGO TESTAMENTO

Pentateuco (a Lei)

[…]

Livros históricos

[…]

Livros sapienciais e poéticos

[…]

Livros proféticos

[…]

NOVO TESTAMENTO

Evangelhos

A palavra "evangelho" quer dizer "boa notícia". Cada um dos quatro evangelhos narra a boa notícia de Jesus, sua vida e missão, desde o nascimento até a paixão, morte e ressurreição.

Os evangelhos foram escritos entre 30 e 70 anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Foram escritos a partir das histórias que as comunidades recordavam da vida de Jesus e transmitiam de boca a boca. A preocupação, quando os evangelhos foram escritos, não era uma biografia do jeito que conhecemos hoje. As comunidades queriam manter viva a lembrança das ações e palavras de Jesus, de modo que a vida fosse sempre iluminada por elas.

Cada evangelho tem um rosto próprio. O evangelho de Mateus quer mostrar Jesus como o Mestre da Justiça, aquele que vem realizar toda a justiça do Pai. Marcos quer mostrar quem é Jesus, através de suas palavras mas sobretudo de suas ações. Lucas quer mostrar que com Jesus começa uma nova história, a história da liberdade que Jesus vem trazer para os pobres e excluídos e que cria novas relações de fraternidade. Estes três evangelhos são chamados "sinóticos", pois seguem basicamente o mesmo esquema. O evangelho de João segue um esquema diferente; nele encontramos sete sinais realizados por Jesus, assim que mostram Jesus como o verdadeiro Caminho para a Vida, como enviado pelo Pai para revelar e concretizar seu plano e amor sem limites.

Atos dos Apóstolos

O evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos formam uma só obra. Enquanto no evangelho de Lucas temos o caminho de Jesus, nos Atos dos apóstolos temos os caminho das primeiras comunidades cristãs. No evangelho, Lucas apresenta o grande caminho de Jeus, da Galiléia até Jerusalém. Nos Atos dos Apóstolos, ele apresenta o grande caminho dos discípulos de Jesus, de Jerusalém até Roma. A mensagem central dos Atos é o testemunho dos discípulos: tendo recebido o Espírito santo, eles divulgam a boa notícia de Jesus até os confins da terra.

Cartas

[…]

Apocalipse de João

O Apocalipse de João foi escrito para iluminar a vida das comunidades que enfrentavam a perseguição no final do primeiro século depois de Cristo. Nesse livro encontramos muitas imagens e símbolos do Antigo Testamento que eram familiares ao pobo da Bíblia, mas que para nós muitas vezes dificultam a compreenção. Ao contrário do que se costuma falar, a palavra apocalipse não quer dizer previsão sobre o futuro, mas revelação. No Apocalipse, de fato, encontramos a revelação do próprio Jesus Ressuscitado, vencedor do mal e da morte, que conduz as comunidades nos conflitos e provações. É um livro de resistência profética, pois convida a resistir diante das situações de morte, a denunciar e destruir o mal para anunciar e construir o bem.

IV. Quadro histórico

No quadro abaixo apresentamos as datas históricas mais significativas do povo da Bíblia. A maioria das datas é aproximativa. Um esquema mais completo pode ser encontrado no "Quadro cronológico" de A Bíblia de Jerusalém, da Paulus Editora.

1850 a 1250 Os Patriarcas
1850 Chegada de Abraão a Canaã (Gn 12)
1700 Os patriarcas no Egito.
1250 a 1200 O êxodo
1250 O êxodo do Egito com Moisés
1220 a 1200 Conquista e ocupação de Canaã com Josué
1200 a 931 Dos Juíses a Salomão
1200 a 1031 Período dos Juízes
1040 Samuel, juiz e profeta
1030 a 1010 Início da monarquia com Saul.
1010 a 970 Davi. Tomada de Jerusalém
970 a 931 Salomão. Construção do Templo de Jerusalém
931 a 722 O Reino dividido
931 Assembéia de Siquém e divisão do reino - Reinos
760 Amós.
750 Oséias
740 Vocação de Isaías e pregação de Miquéias.
722 a 587 O Reino de Judá
722 ou 721 Queda da Samaria. Fim do Reino de Israel. Deportação dos hebreus à Assíria.
716 a 687 Ezequias.
687 Vocação de Jeremias
622 Reforma de Josias.
612 Naum.
587 Primeira conquista de Jerusalém e primeira deportação dos hebreus à Babilônia
586 Segunda conquista e destruição de Jerusalém e segunda deportação dos hebreus à Babilônia. Fim do Reino de Judá.
586 a 539 Exílio na Babilônia
539 a 333 A reconstrução durante o período persa
539 Edito de libertação de Ciro. Fim do exílio
538 Início do retorno dos exilados a Jerusalém, em vários grupos.
520 a 515 Reconstrução do Templo de Jerusalém. Profetas Ageu e Zacarias
458 a 398 Missão de Esdras e Neemias.
336 a 323 Alexandre Magno. Conquista da Síria em 333
333 a 63 A época helenística
300 a 200 A Judéia sob o domínio dos lágidas. Penetração da língua e cultura helenista na Palestina. Tradução da Bíblia ao gredo pelos Setenta
198 a 142 Judéia sob o domínio dos selêucidas
166 a 160 Judas Macabeu
164 Reconsagração do Templo
160 a 142 Jônatas. É nomeado sumo sacerdote em 152
142 a 134 Simão sucede seu irmão Jônatas como sumo sacerdote. Surgem os grupos dos fariseus, saduceus e essênios de Qumrã.
134 a 104 João Hircano.
104 a 76 Alexandre Janeu
a partir de 63 A época romana
63 Pompeu conquista Jerusalém
37 a 4 Herodes o Grande, rei da Judéia
20 a 19 Início da construção do novo Templo de Jerusalém
7 ou 6 Nascimento de Jesus e do apóstolo Paulo
4 a.C. Morte de Herodes
18 a 37 d.C. Caifás, sumo sacerdote
26 a 36 Pôncio Pilatos, procurador
27 Início da pregação de João Batista
28 a 30 Ministério público de Jesus
30 Paixão, morte e ressurreição de Jesus nos dias da Páscoa hebraica. Pentecostes.
36 Martírio de Estevão. Conversão de Paulo
39 Visita de Paulo a Jerusalém
43 Paulo e Barnabé em Antioquia da Síria
43 a 44 Perseguição de Herodes Agripa I, Martírio de Tiago Maior. Prisão e libertação de Pedro
45 a 48 Primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, Fundação de comunidades em Chipre, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe
49 Concílio de Jerusalém
50 a 52 Segunda viagem missionária de Paulo. Fundação de comunidades em Trôade, Filipos, Tessalônica, Beréia e Corinto.
53 a 58 Terceira viagem missionária de Paulo. Fundação de comunidades em Éfeso e Colossas.
58 Prisão de Paulo em Jerusalém. Levado prisioneiro a Cesaréia
62 Martírio de Tiago Menor
61 a 63 Paulo prisioneiro em Roma
64 a 67 Fim da atividade apostólica de Paulo. Martírio de Pedro em Roma
67 Martírio de Paulo em Roma
95 João exilado em Patmos.
100 Morte de João

V. Usando abreviaturas e citações

[…]

VI. As diversas traduções da Bíblia

[…]

VII. Modos de ler a Bíblia.

[…]

fonte: Paulo Bazaglia,Primeiros passos com a bíblia

EVANGELHOS:

Como ler o evangelho

O santo Evangelho é o melhor livro de piedade. É a fonte da verdade, o caminho que nos leva à vida eterna. É a Carta que o Pai celeste nos enviou por meio de seu Filho, o qual veio "para dar-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus" (Jo 1,12). Utilíssimo e sumamente recomendável é o costume de ler diariamente um trecho da Palavra do Salvador, o que se pode muito bem fazer na hora do terço em família ou no início de alguma refeição. É igualmente salutar e digno de louvor o uso de dar como penitência sacramental a leitura de trechos do Evangelho. Nunca falte ao menos um pensamento evangélico ao se fazer ou renovar a entronização do Sagrado Coração no lar, e noutras festas familiares. Para se esclarecerem dúvidas que possam surgir, recorra-se aos sacerdotes, "cujos lábios guardam a ciência" divina, no dizer do profeta Malaquias (2, 6-7). A explicação geral sobre a Sagrada Escritura, as introduções no início de cada Evangelho e as notas explicativas muito auxiliam a compreenção da Palavra do Senhor e a sua aplicação prática na vida atual. Portanto, "seja a tua maior preocupação meditar a vida de nosso Senhor Jesus Cristo" e os seus sacrossantos ensinamentos, no dizer da Imitação de Cristo (Livro I, Cap. I)

Prece: A leitura do santo Evangelho seja nossa salvação e proteção.

Introdução sobre os evangelhos1:

SÃO MATEUS

SÃO MARCOS

SÃO LUCAS

SÃO JOÃO

I. Cronologia evangélica

Baseado nos cálculos do monge Dionísio o Pequeno (efetuados no ano 525), o calendário da Era Cristã (E.C) fixa como seu início o nascimento de Jesus, que teria sido no ano 753 da fundação de Roma (753 ab Urbe Cóndita, U.C.). Mas, conforme Mateus (2, 1-15) e Lucas (1,5; 2, 1-2; 3,1), o certo é que Jesus nasceu menos de um ano antes da morte de Herodes I, o Grande, a qual se deu precisamente em abril de 750 U.C, conforme escreve Flávio Josefo. Portanto, o natal de Jesus se deu no ano 749 U.C, ou seja, no ano 5 antes da data marcada por Dionísio como Ano 1 da Era Cristã.

Nascimento de Jesus (2º semestre de 749 U.C) ano 5 antes da E.C.
Morte de Herodes I, o Grande (abril de 750 U.C) ano 4 antes da E.C.
Batismo de Jesus e início de sua Vida Pública ano 28 da E.C
Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus ano 30
Vinda do Espírito Santo ano 30
Conversão de Paulo ano 34
Concílio apostólico de Jerusalém ano 50
Evangelho de Mateus (redação aramaica) entre ano 50 e 54
Evangelho de Mateus (redação grega) pelo ano 60
Evangelho de Marcos entre 54 e 60
Evangelho de Lucas pelo ano 60
Perseguição de Nero ano 64
Martírio de Pedro e Paulo ano 67
Destruição de Jerusalém por Tito ano 70
Apocalipse de João entre 88 e 90
Evangelho de João, pouco antes de sua morte. Encerra-se a Revelação Bíblica e a era Apostólica entre 98 e 100

II. A Bíblia e sua inspiração

A BÍBLIA ou Sagrada Escritura é o conjunto dos Livros santos, os quais têm por autor principal o próprio Deus, que inspirou os autores humanos.
A inspiração divina consiste no seguinte:
Deus moveu a inteligência do homem a formar idéias claras a respeito do que ele queria que fosse escrito: umas eles adquiriam informando-se ou meditando; outras, cujo conhecimento supera a inteligência humana, eram-lhes fornecidas por revelação.
A seguir, Deus moveu a vontade do autor a que se resolvesse escrever.
Por fim, acompanhou-o enquanto escrevia, para que relatasse tudo e só o que ele desejava.
No entanto, a inspiração não exclui que cada autor conserve o seu estilo próprio: daí a variedade incrível entre os muitos livros.

III. Os Evangelhos

A Bíblia divide-se em Antigo e Novo Testamento: os livros do primeiro foram preparação para a vinda do Messias, cuja manifestação e mensagem é relatada no segundo.
E cada um dos quatro primeiros livros do Novo Testamento recebem o nome de Evangelho, termo grego que significa "boa notícia".

De fato, os Evangelhos narram a melhor de todas as notícias que a humanidade jamais poderia ter imaginado e vinda e Vida do Redentor. Não trazem a biografia completa e Jesus nem seguem uma ordem cronológica exata, porquanto cada evangelista escolhe apenas os
fatos e discursos mais relacionados com a verdade que tenciona provar.
O apóstolo João, no seu apocalipse (4, 6-7), último livro do Novo testamento, descreve uma visão simbólica (semelhante à de Ez 1, 4-10): Quatro seres vivos de aspectos diversos: de homem, de leão, de boi e de águia em vôo.
A igreja, desde santo Irineu, no 2º século, aplica tal visão aos quatro evangelistas, segundo a característica de cada um, a saber:
A figura de homem ou anjo representa MATEUS, que prova aos israelitas ser Jesus o Messias prometido no Antigo Testamento.
O leão simboliza MARCOS, que demonstra ser Jesus o forte e onipotente Filho de Deus, o “Leão de Judá” vindo para salvar o mundo.
A figura do boi caracteriza, com seu auto mugido, a mensagem de Cristo para a salvação universal, o que transparece da narração de LUCAS.
E a águia de vôos altíssimos é JOÃO, que considera a origem eterna do Cristo-Verbo, que é um único Deus com o Pai e o Espírito Santo.

IV. Os Evangelhos, livros históricos

Vários outros evangelhos foram escritos, e deles alguns perduram até hoje. São Apócrifos. A Igreja. Porém, desde o início sempre considerou divinamente inspirados somente o de Mateus, Marcos, Lucas e João, conforme o garante a antiguidade cristã. Eis alguns
testemunhos:
Entre os anos 110 a 130, Papias, bispo de Hierápolis, na Frígia, escreve que, desde a juventude, procurava interrogar os discípulos diretos dos apóstolos, sobre o que estes haviam ensinado. E afirma que Marcos, Mateus e João tinham deixado por escritos os discursos de
Jesus, entendendo com a palavra “discursos” também os acontecimentos.
Uns 20 anos depois, governou a diocese de Lião, nas Gálias, Irineu, que foi discípulo Policarpo, o qual fora discípulo imediato do apóstolo João. Falando também de Lucas, Irineu dá a lista completa dos evangelistas, advertindo energicamente que a Boa Nova é uma só sob
quatro formas, donde a sua famosa expressão: evangelho quadriforme ou tetramorfo.
Na década 130-140, o herege Marcião rejeita o Antigo Testamento por se revelação de um Deus vingador, e só aceita o apóstolo Paulo como mensageiro de Cristo, cuja doutrina os demais apóstolos falseiam. Contra Marcião, entre outras declarações, foram publicados, pelo
ano 160, uns prólogos muito interessantes a cada um dos quatro Evangelhos.
Em 1935 veio a lume o famoso Papiro Egerton: contém fragmentos de um evangelho apócrifo datado do ano 150 aproximadamente, que faz referências claras aos nossos Evangelhos.
Dos últimos anos do 2º século é o Cânon Muratoriano, manuscrito em latim barbárico, descoberto na biblioteca Ambrosiana por L. A. Muratori – de quem lhe veio o nome – e publicado em 1740. Esse preciosíssimo escrito discorre sobre a fé reinante na Igreja primitiva
sobre a origem e difusão dos quatro Evangelhos.
Justino, em sua primeira Apologia (defesa da fé), escrita em 155, afirma que nas reuniões litúrgicas eram lidas as “Memórias” dos apóstolos, denominadas “Evangelhos”, e faz referência aos nossos quatro, embora não cite o nome de cada um.
Na Síria, pelo ano 170, Taciano, discípulo de Justino, combina os quatro numa só narração, chamando-a “Diatessáron”, que significa Harmonia.
Ainda nessa época, Clemente de Alexandria, no Egito, e Tertuliano, em Cartago, afirmam exatamente o mesmo.

No século seguinte, escritores como Orígenes, Hipólito, Cipriano, Vitório de Petau, além das versões siríacas, coptas e latinas, e numerosos manuscritos formam o coro uníssono, atestando a autenticidade dos quatro Evangelhos, e só dos quatro.

V. Questão sinótica

A grande semelhança entre os primeiros três, mereceu-lhes o título de “Evangelhos sinóticos”, porque podem formar entre si uma sinopse ou resumo, com mais ou menos os mesmos fatos e discursos, às vezes na mesma ordem e até com palavras iguais. No entanto,
várias diferenças e aparentes contradições dão a cada evangelista a sua fisionomia própria.
Como esclarecer tanta semelhança e as poucas discordâncias? Esta é a chamada “Questão sinótica”.
Explica-se: Durante cerca de 20 anos após a Ascensão do Senhor, sua vida e ensinamentos foram propagados naturalmente em grande harmonia, formando-se uma tradição oral que serviu de fonte única para os escritores.
Mateus compôs, para os judeus, o seu Evangelho em aramaico, língua popular em toda a Palestina já nos tempos de Jesus.
A pregação de Pedro, em Roma, serviu pra o seu discípulo marcos escrever o 2º Evangelho, em grego popular, língua conhecida em todo o império Romano.
Pelo ano 60, Lucas, discípulo de Paulo, redigiu o seu Evangelho, que é o mais bem elaborado, tendo para isso consultado fontes escritas e orais, como ele mesmo afirma (Lc 1,1-4).
Quando se espalhou no Oriente o uso da língua grega propagou-se o Evangelho de Marcos, livro este que deve ter ajudado o cristão que traduziu o texto aramaico de Mateus.
Aliás grande número de críticos acham muito provável que foi o próprio Mateus que refez em grego o seu trabalho, para o que deve ter-se valido também da pregação de Pedro, tal como é relatada por Marcos. Note-se que a redação em aramaico se perdeu sem deixar vestígios,
provavelmente nas destruições e desordens da guerra de 70 quando Jerusalém foi arrasada pelo general Tito, depois imperador de Roma.

VI. Língua e traduções

Exceto a primeira redação de Mateus e Epístola aos hebreus, o Novo Testamento surgiu todo em grego. Teve início com a primeira Epístola aos Tessalonicenses, escrita por Paulo pelo ano 50 ou 52. O último livro é o Evangelho de João, pouco antes de sua morte, pelo ano 98 ou
100, encerrando-se a Revelação bíblica e a Era apostólica.
Esses Livros santos propagaram-se rapidamente no Oriente Médio e no Ocidente. Eram todos escritos em papiro (folhas feitas com a casca dessa planta, matéria de baixo custo, mas que se estragava com facilidade). Por isso, dos três primeiros séculos chegaram até nós apenas
fragmentos, aliás, bem preciosos para comprovar o valor autêntico dessas páginas divinas.
Somente a começar do século IV é que se propagou, para a escrita, o uso do pergaminho ou pele de carneiro. Sendo matéria bem mais resistente, multiplicaram-se cópias inteiras de todos os livros do Novo Testamento, que assim chegou completo até nós.
Com o tempo, inúmeros e zelosos copistas, intercalando no texto sagrado comentários e comparações entre passagens semelhantes, ofuscaram-lhe a pureza, sem, contudo prejudicar o essencial. Daí terem surgido muitos e diferentes tipos de textos ou códices.
Os judeus e prosélitos2 da Diáspora ou Dispersão, isto é, os que vivam fora da Palestina, como também os apóstolos, serviam-se da famosa tradução dos Setenta3, realizada aproximadamente século e meio antes de Cristo. O nome Setenta (muito citado em algarismos
romanos: LXX), provém de uma carta pseudônima de Aristeia, atribuído a versão grega do Pentateuco a “setenta” e dois doutos judeus.
Durante a Idade Média, prevalecia no império bizantino um “texto aceito por todos”, mas que se afastara bastante do que era genuinamente bíblico, devido à confrontação de trechos paralelos e ao embelezamento literário com que se procurava agradar ao gosto
popular. Comparado depois com manuscritos antigos, o texto bizantino foi citado em descrédito, e pelos meados do século XIX foi totalmente posto de lado nos estudos e na liturgia.
A antiqüíssima tradução latina da Bíblia, bem mais rigorosa que o texto bizantino, e conhecida pelo nome de Vulgata, que significa popular, foi em parte refeita e em parte apenas corrigida por São Jerônimo, que se valeu para isso de bons e antigos manuscritos gregos,
reconduzindo assim o texto sagrado quase à pureza original. Os Evangelhos, ele os corrigiu apenas. Do Antigo Testamento, traduziu de novo quase tudo diretamente do hebraico. Foram quinze anos (de 390 a 405) de extraordinária dedicação, pelo que o seu trabalho passou
merecidamente para a história com o nome de “Vulgata de São Jerônimo”, declarada pelo Concílio de Trento, em 1546, autêntica, porque “contém positiva e fielmente a Palavra de Deus escrita”.
Com o progresso da crítica moderna, podemos hoje dar o texto genuíno dos Evangelhos. Em 1214, Estevão Langton, depois cardeal, dividiu a Bíblia toda em capítulos, o que facilitou imensamente o seu estudo. Em 1528, Sante Pagnini dividiu os capítulos do Antigo Testamento em versículos. E em 1550, Roberto Estevão fez o mesmo para o Novo Testamento.
Tal divisão e distribuição, como também o título e a ordem dos Livros Sagrados, apresentam leve diferença entre Vulgata e as traduções atuais. Por exemplo: do Salmo 10 aos 147, a numeração hebraica (seguida no Bíblico) é sempre uma unidade acima da numeração da
Vulgata.

(1) Fonte: Santo Evangelho de N. S. Jesus Cristo, Edições Paulinas 52ª edição
(2) Pagão convertido ao judaísmo, que se agregou ao povo judeu pela circuncisão (Mt 23,15; At 2,11).
Alguns prosélitos converteram-se ao cristianismo (At 6,5; At 13,43).
(3) Nome dado à tradução dos livros do Antigo Testamento, escritos em hebraico e aramaico, para o grego. Foi feita no Egito entre 250 e 100 a.C.. O nome “setenta” provém da lenda, segundo a qual a tradução foi levada a termo por setenta e dois doutores da Lei enviados de Jerusalém. Escritores do Novo Testamento e os cristãos dos primeiros séculos utilizaram esta tradução. No Ocidente, a partir do século V foi substituída pela Vulgata.

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